A Igreja e o Ano Sacerdotal

Em Junho deste ano, o Papa Bento XVI pediu aos católicos um ano inteiro dedicado a orações e reflexões sobre os sacerdotes. A Igreja Católica, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, é continuada, em sua realidade material através daqueles que Ele mesmo instituiu como seus legítimos representantes. Na última ceia de Jesus (e primeira missa), conforme narram os evangelhos, o Filho de Deus disse: “Fazei isso em memória de mim!”. Com essa expressão entendemos que Cristo queria que seu gesto – e não apenas, mas também sua pregação – fosse perpetuada por aqueles que Ele mesmo escolheu e que estavam presentes na ocasião.

Ao longo dos séculos a Igreja Católica se valeu desse mandato de Cristo para dar continuidade ao processo de evangelização da humanidade. À lista de pessoas que foram sucedendo os apóstolos chamamos sucessão apostólica. Portanto, os sucessores dos apóstolos podem, legítima e validamente, continuar a missão começada por Jesus. Aos sucessores dos apóstolos (que hoje chamamos bispos) a Igreja colocou colaboradores diretos, que são chamados presbíteros (sacerdotes ou padres). A palavra padre quer dizer ‘pai’. Os padres, portanto, no dia da ordenação sacerdotal, após um mínimo de 7 anos de estudos e duas faculdades concluídas (filosofia e teologia), passam a fazer as vezes de Cristo. Não se trata de alguém que imita Jesus apenas, é – como afirma a Igreja – ‘alter Christus’ : outro Cristo. O Padre, ao celebrar missa, ouvir confissões, batizar… age na pessoa do próprio Cristo. Durante a missa ele não diz: “Tomai e comei isto é o corpo de Jesus’ , mas sim: ‘Tomai e comei, isto é o MEU corpo!’.

A história universal concorda pacificamente com o bem extraordinário que vários padres católicos trouxeram à humanidade. Como não se emocionar com exemplo heróico de Santo Antônio de Pádua, sacerdote português que em missão na Itália deixou um rastro de luz ao mostrar o lado terno do Senhor Jesus? Impossível não se comover ao conhecer a história do sacerdote polonês Maximiliano Kolbe que, prisioneiro num campo de concentração nazista, ofereceu-se para morrer no lugar de um pai de família (judeu!). Mais impressionante ainda é o benefício que lucramos com o exemplo de um frade franciscano de nome Pio, São Padre Pio, que além de defensor da fé e da mística, construiu um importante hospital que no interior da Itália (San Giovanni Rotondo), até hoje, é referência de auxílio seguro aos enfermos. O Brasil, há pouco, passou a conhecer mais de perto o exemplo de outro grande sacerdote, também franciscano, declarado Santo pelo papa Bento XVI em terras brasileiras: São Frei Galvão, que era particularmente dedicado na atenção aos enfermos.

É verdade que existem também sacerdotes que deixaram marcas negativas na história da humanidade. Todavia, seria ignorância não intuir que o número dos que fazem o bem – em função da dignidade do próprio ofício – são bem mais numerosos e pouco divulgados que os que mancharam a classe.

Um católico fiel deve sempre rezar pelos sacerdotes. Não raras são as graças que obtemos quando sabemos honrar este ‘homem de Deus’, levando em consideração nosso amor a Jesus Cristo. Ninguém respeite um padre pelos seus dotes intelectuais exclusivamente, mas apenas e tão somente porque ele foi investido de uma dignidade querida pelo próprio Cristo. Ao encontrar um padre em dificuldades, nenhum fiel pense que bastam apenas míseras orações. Por causa de sua nobre e gravíssima responsabilidade, ajudar um padre significa: orar, imolar-se por amor a Jesus e suportar as adversidades da vida em prol de sua melhora. Deus abençoe você que já faz isso e que se alegrou com o pedido que nosso Papa fez. Celebremos assim este ano Sacerdotal.

Seu irmão,

Pe. Delton Filho

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