Cardeal Orani João Tempesta: Vida Consagrada

vida-consagradaNo dia dois de fevereiro celebramos a festa da Apresentação do Senhor no Templo. Nesta festa somos chamados a contemplar o mistério que recorda os quarenta dias do nascimento do Filho de Deus na gruta de Belém, quando a Virgem Santa Maria e seu esposo São José, o pai adotivo Davídico de Jesus, foram ao Templo levando o Menino-Deus em seus braços para apresentá-lo, oferecê-lo, consagrá-lo ao Senhor, pois, embora fosse Ele o Deus Conoco, quiseram os pais, com a profunda prática religiosa que mantinham, cumprir o que a Lei previa para os primogênitos. Assim, também nós, quarenta dias depois de ter celebrado o Santo Natal do Senhor, devemos nos apresentar no Templo para renovar a oferta de nós mesmos ao Senhor, para que, com nossa vida, sempre testemunhemos que somos templos de Deus e que, portanto, somos habitáculos do Senhor, a Trindade habita em nós. A liturgia que celebramos nos faz viver no aqui e agora, o ainda não, atualizado no mistério celebrado.

Fazendo eco à convocação do Papa, aproveito para anunciar que estou entregando, neste dia em que tradicionalmente se comemora Nossa Senhora da Luz, das Candeias ou da Candelária, uma carta pastoral com o título: “GRATIDÃO, PAIXÃO, ALEGRIA E ESPERANÇA”, que espero que seja lida e refletida pelos nossos diocesanos, e, em especial, pelos consagrados e consagradas neste ano especial a eles dedicado.

Vivamos, pois, com alegria e grande compromisso, a convite e por instituição do Papa Francisco, o Ano da Vida Consagrada em toda a Igreja Católica! Com este termo – “Vida Consagrada” – encontramos tanto os membros dos Institutos Religiosos, dos Institutos Seculares, como os fiéis que fazem parte da Ordem das Virgens, dos Eremitas, ou são membros das Sociedades de Vida Apostólica e das Novas Comunidades, cada um a seu modo, consagrados a Deus seja na vivência dos conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) através dos votos públicos ou privados, seja consagrados através de outros vínculos reconhecidos pela Igreja ou mesmo no escondimento aos olhos do mundo, mas que não são escondidos aos olhos de Deus.

A primeira e mais importante consagração, todos sabemos, mas é bom sempre lembrar, é aquela batismal e, a partir desta, a que a Tradição chama de ianua Sacramentorum, quando nos tornamos, no sentido mais estrito e teológico do termo, “filhos de Deus”; a Igreja, nossa mãe que nos gerou pelo Batismo, nos acompanha em nossa vida pelos outros sacramentos de iniciação cristã: Crisma e Eucaristia; pelos sacramentos de cura: Penitência ou Reconciliação e Unção dos Enfermos; e pelos sacramentos para os serviços de comunhão: Ordem e Matrimônio.

Mas, dentro do Povo de Deus, alguns são chamados, sejam clérigos ou leigos, e é isso que celebramos nesta Jornada, para viverem um estado novo de vida: o religioso, ou um modo novo de vida: seculares, membros de sociedades apostólicas e das novas comunidades, respondendo, assim, de forma bem específica àquela única vocação a que todos são chamados: a vocação à santidade.

A Jornada Mundial da Vida Consagrada, instituída por São João Paulo II e, neste ano celebramos a XIX, recorda a todos os consagrados à vocação que eles têm para viver uma amizade autêntica com o Senhor que os chamou para uma relação de profunda intimidade com Ele, na comunhão eclesial e ao serviço do mundo. Mas também recorda a todos nós de rezarmos por estes homens e mulheres de Deus que nos mantêm sempre presentes em sua oração.

Neste Ano da Vida Consagrada, o Santo Padre, religioso da Companhia de Jesus (Jesuíta), quer que os consagrados evangelizem sua vocação, recordando o passado com gratidão, vivendo o presente com paixão e abraçando o futuro com esperança, confiando sempre na Providência desse nosso Deus que nos acompanha com amor e fidelidade.

E com o Papa Francisco, na Carta Apostólica às pessoas consagradas para a proclamação do Ano da Vida Consagrada, desejo: “Não cedais à tentação dos números e da eficiência, e menos ainda à tentação de confiar nas vossas próprias forças”. Com atenta vigilância, perscrutai os horizontes da vossa vida e do momento atual. Repito-vos com Bento XVI: “Não vos unais aos profetas de desventura, que proclamam o fim ou a insensatez da vida consagrada na Igreja dos nossos dias; pelo contrário, revesti-vos de Jesus Cristo e muni-vos das armas da luz – como exorta São Paulo (cf. Rm 13,11-14) –, permanecendo acordados e vigilantes”. “Prossigamos, retomando sempre o nosso caminho com confiança no Senhor”.

Nesta cidade, que em sua fundação contou com a presença de São José de Anchieta, dentre os vários dons que recebemos e que pode inspirar os consagrados neste ano especial, é que temos em nossa Igreja o processo que já está em Roma, da Serva de Deus Ir. Maria José, carmelita do Rio de Janeiro, como estímulo ao chamado à santidade da Vida Religiosa nestas terras cariocas. Aqui também viveu, morou um bom tempo e faleceu a beata Barbara Maix, fundadora da Congregação do Imaculado Coração de Maria. Sabemos também que Zélia, esposa do Jerônimo, cujo processo arquidiocesano está em andamento, terminou seus dias como consagrada. São sinais de Vida Consagrada que podem nos ajudar muito nestes tempos de agradecer a história, viver a paixão da vida hoje, e olhando com esperança para o futuro.

Rezemos pelo mundo e testemunhemos que é possível ser sinal de santidade.

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

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