Jesus, ponte de comunhão plena com o Pai

Cidade do Vaticano (RV) – “Jesus é o grande “construtor de pontes”, que constrói em si mesmo a grande ponte da comunhão plena com o Pai”. No Angelus deste XXIII Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco inspirou-se no episódio da cura do surdo-mudo narrado no Evangelho do dia para falar da comunicação do homem com Deus e com os próprios homens.

Considerando inicialmente que o milagre é realizado em uma região pagã, o Papa explica que “aquele surdo-mudo que é levado até Jesus torna-se o símbolo do não-crente que realiza um caminho em direção à fé”. “A sua surdez – continuou ele –  expressa a incapacidade de escutar e de compreender não somente as palavras dos homens, mas também a Palavra de Deus. E São Paulo nos recorda que “a fé nasce da escuta da pregação”:

“A primeira coisa que Jesus faz é levar aquele homem para longe da multidão: não quer fazer publicidade do gesto que está por realizar, mas não quer tampouco que a sua palavra seja abafada pelo rumor das vozes e dos mexericos do ambiente. A Palavra de Deus que o Cristo nos transmite tem necessidade de silêncio para ser ouvida como Palavra que cura, que reconcilia e restabelece a comunicação”.

O Papa recorda que na narrativa fala-se dos dois gestos de Jesus: tocar os ouvidos e a língua do surdo-mudo.  “Para iniciar a relação com aquele homem “travado” na comunicação – observa o Pontífice – Jesus procura primeiro restabelecer o contato. Mas o milagre é um dom do alto, que Jesus implora ao Pai; por isto eleva os olhos aos céus e ordena: “Abre-te!”. Os ouvidos do surdo se abrem, se dissolve o nó da sua língua e começa a falar corretamente”:

“O ensinamento que tiramos deste episódio é que Deus não é fechado em si mesmo, mas se abre e se coloca em comunicação com a humanidade. Na sua imensa misericórdia, supera o abismo da infinita diferença entre ele e nós e vem ao nosso encontro. Para realizar esta comunicação com o homem, Deus se faz homem: não lhe basta falar-nos mediante a lei e os profetas, mas se torna presente na pessoa de seu Filho, a Palavra feita carne. Jesus é o grande “construtor de pontes”, que constrói em si mesmo a grande ponte da comunhão plena com o Pai”.

Mas este Evangelho – continuou o Papa –  nos fala também de nós:

“Frequentemente nós somos voltados e fechados em nós mesmos e criamos tantas ilhas inacessíveis e inóspitas. Até mesmo as relações humanas mais elementares às vezes criam realidades incapazes de abertura recíproca: o casal fechado, a família fechada, o grupo fechado, a paróquia fechada, a pátria fechada…isto não é de Deus, é coisa nossa, é o pecado!”.

Também no Batismo, recordou o Papa, existe aquela palavra de Jesus “Effatà! – Abre-te!”, que nos cura “da surdez do egoísmo e da mudez do fechamento e passamos a ser inseridos na grande família da Igreja; podemos ouvir Deus que nos fala e comunicar a sua Palavra àqueles que nunca a ouviram, ou a quem a esqueceu e sepultou sob os espinhos das preocupações e dos enganos do mundo”.

O Santo Padre concluiu pedindo a Virgem Santa, “mulher de escuta e do testemunho jubiloso”, para que nos sustente no compromisso “de professar a nossa fé e de comunicar as maravilhas do Senhor àqueles que encontramos em nosso caminho”.

Oração do Angelus, Domingo 06/09/2015 – Papa Francisco

Fonte: Rádio Vaticano

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