A segunda pregação de Dom Erik Barden nesta terça-feira, 24, no Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano teve “O esplendor da verdade” como tema.
No início de sua conferência, o pregador destacou o alerta feito por São Bernardo de Claraval: “ninguém vive na Terra sem tentações; se por acaso alguém se livra de uma, certamente deve esperar outra”.
“Devemos cultivar o equilíbrio certo entre a confiança na ajuda de Deus e a desconfiança em nossa própria fragilidade”, pontuou Dom Barden, “temendo as tentações e aceitando sua inevitabilidade, lembrando que Deus nos sujeita a elas porque são úteis”.
O religioso explicou que, ao resistir às flechas lançadas pelo Pai da Mentira, o compromisso com a verdade é fortalecido, bem como a confiança nela. “Ao nos afastarmos da falsidade que nos enfraquece, seremos capazes de nos converter e fortalecer nossos irmãos”, afirmou.
Ambição
Dom Barden pontuou ainda que São Bernardo de Claraval enxerga a ambição como uma negação da verdade. “É a faísca que incendeia os crimes, faz com que as virtudes enferrujem, a santidade apodreça e cega os corações”, aponta o santo, acrescentando ainda que a ambição nasce de uma alienação da mente.
“É uma loucura que se manifesta quando se esquece a verdade”, frisou o pregador. Neste sentido, a ambição se torna ridícula quando se manifesta em pessoas que se dedicam vocacionalmente a servir os outros. Não obstante, a figura do sacerdote ambicioso infesta a literatura e o cinema como algo cômico, mas não muito divertido, expressou.
“O que é a verdade?”
Em seguida, o religioso refletiu sobre a pergunta “o que é a verdade?”. Ele reconheceu que muitas pessoas fazem essa pergunta com sinceridade e boa vontade, apesar da confusão, do medo e da pressa em que vivem. “Não podemos deixá-la sem resposta”, pontuou, “nossos melhores recursos são utilizados para apoiar a Verdade substancial e essencial, que nos liberta de qualquer substituto, mais ou menos brilhante, mais ou menos maligno”.
Diante da complexidade dos dias atuais, é imperativo articular o mundo à luz de Cristo, sublinhou Dom Barden. “Cristo, que é a Verdade, não apenas nos protege. Ele nos renova, ansioso por se revelar através de nós a uma criação cada vez mais consciente de sua escravidão à futilidade”, manifestou.
Por vezes pode-se pensar que é preciso acompanhar as modas do mundo, mas isto é algo duvidoso, sinalizou o religioso. Falando a sua própria linguagem, a Igreja permanecerá capaz de anunciar verdades perenemente novas. “Será original e inovadora, e poderá hoje, como no passado, orientar a cultura”, enfatizou.
Ao concluir sua pregação, Dom Barden ressaltou o chamado universal à santidade, um dos apelos mais fortes do Concílio Vaticano II. “A reivindicação cristã da verdade torna-se convincente quando seu esplendor se manifesta de forma pessoal, através de um amor pronto a sacrificar-se em santidade, purificado das tentações do compromisso”, finalizou.
Fonte: Canção Nova