Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta sexta-feira, 15, os participantes da 2ª Conferência Interparlamentar sobre a Luta contra o Crime Organizado na Regional da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Cerca de 120 pessoas estiveram presentes, entre parlamentares, especialistas do setor e representantes dos países da OSCE

No início de seu discurso, o Pontífice recordou que o evento de dois dias em Roma é destinado “à grave e urgente batalha contra o flagelo das drogas ilícitas”. Ele sublinhou que prevenir e combater o crime organizado é essencial para a construção de sociedades seguras, justas e estáveis.

Esforço coletivo no combate às drogas

O Santo Padre enalteceu, com profunda esperança e preocupação pastoral, a determinação coletiva de enfrentar um fenômeno que sustenta redes criminosas e põe em risco o futuro das sociedades. Ele apontou que a Santa Sé “está firmemente convencida de que o Estado de Direito, a prevenção do crime e a justiça penal devem avançar juntos, em união”.

Para isso, prosseguiu, a implementação das leis continua sendo indispensável para o desenvolvimento humano integral — e não o contrário, com a violação da dignidade e dos direitos das pessoas. Segundo Leão XIV, a prevenção e a resposta às atividades criminosas estão intimamente relacionadas com o respeito e a proteção dos direitos humanos universais.

“Nesse sentido, a Santa Sé apoia plenamente todas as iniciativas que visem estabelecer um sistema de justiça penal eficaz, justo, humano e credível, capaz de prevenir e combater a produção e o tráfico de drogas ilícitas. Reconhecendo que a verdadeira justiça não pode se contentar apenas com a punição, tais esforços devem igualmente adotar abordagens marcadas pela perseverança e pela misericórdia, voltadas para a reeducação e a plena reintegração dos infratores no tecido social. O mesmo respeito pela dignidade inerente a cada pessoa, inclusive àquelas que cometeram crimes, exclui o uso da pena de morte, da tortura e de toda forma de punição cruel ou degradante”, declarou o Papa.

Busca por soluções

O Pontífice assinalou como necessários programas multidisciplinares que redescubram a dignidade dada por Deus, sobrepondo-se a medidas puramente repressivas que não conseguem libertar os indivíduos escravizados pelo vício. Tal abordagem pode vir através de tratamento médico, de apoio psicológico e de reabilitação sustentada.

O Santo Padre também enfatizou que a educação é a chave para a prevenção, sobretudo em um tempo no qual as redes sociais transmitem conteúdos que banalizam os riscos da dependência. Por constituir a base do desenvolvimento humano integral, observou, a educação na família e na escola ajuda a capacitar crianças e jovens a reconhecer a profunda devastação causada pelas drogas no cérebro, no corpo, na conduta pessoal e no bem comum da comunidade.

“A Igreja Católica, por meio de suas numerosas instituições em todo o mundo e com base em sua longa experiência no acompanhamento das pessoas afetadas pela dependência química, está pronta para aprofundar ainda mais seu vínculo de cooperação frutífera com a sociedade civil. Juntos, num espírito de respeito mútuo e responsabilidade compartilhada, podemos promover políticas que sirvam verdadeiramente ao bem comum e à dignidade inalienável de cada ser humano”, concluiu Leão XIV.

Fonte: Canção Nova