Explicação Heráldica do Brasão de Mons. José Francisco do Rêgo

O formato boleado do escudo: de origem portuguesa e hispânica rememora os escudos de ambas famílias, Rêgo e Rodrigues, de origem portuguesa.

As cores do escudo: a cor Gules (vermelho intenso) do chef (terça parte superior do escudo) simboliza o sangue dos mártires, e assim a responsabilidade episcopal de defender a fé, até mesmo entregando a própria vida. O esmalte Or (ouro), representa o Sol que é Cristo, a virtude da coragem e a nobreza da família. Ambas as cores provêm do escudo da família Rodrigues.

O chapéu com cordas e doze borlas verdes: é símbolo de Cristo cabeça da Igreja e dos doze apóstolos, a cuja missão o Bispo encontra-se intimamente associado. A cor verde expressa a caridade, a fé o cuidado.

A cruz pastoral dourada: indica que o ministério do bispo existe em referência ao ministério pastoral de Cristo e em continuidade com Ele. “Atuando na pessoa e em nome de Cristo, o Bispo se converte para a Igreja a ele confiada, em sinal do Senhor Jesus, Pastor e Esposo, Mestre e Pontífice da Igreja”.

A cruz flordelisada: elemento presente no Brasão da família Rodrigues. Sinal de nossa redenção, marca e reúne em um só rebanho todos os que decidiram seguir o Senhor.

A flor de lis: de esmalte Argento está no coração do brasão e recorda a Santíssima Trindade por possuir 3 pétalas unidas em uma única haste. Também é sinal de pureza e castidade fazendo referência a Santíssima virgem Maria e seu esposo São José. Está posta em faixa e são 3 em referência aos 3 conselhos evangélicos, pobreza, castidade e obediência, e as 3 virtudes Teologais, fé, esperança e caridade.

A concha: assentada sobre as águas nos remete imediatamente ao Santo Batismo que nos faz filhos de Deus. No brasão ela representa a figura da Santíssima Virgem Maria que gerou em seu seio a pérola que é Jesus. A concha exprime também a dimensão peregrina do episcopado e faz parte da simbologia da família Rêgo.

A água corrente: posta na ponta do escudo nos recorda ainda a vida eterna e as origens da família Rêgo.

O lema “Mane Nobiscum Domine” em português Fica conosco Senhor.

 

 

Sobre as famílias:

O nome “Rego”: tem os seus primeiros registros em Latim. Em Latim, “rego” é a forma presente ativa do verbo “reger”. Em textos clássicos, o verbo reger e sua forma “rego”, podem ser traduzidos tanto, quanto o atual reger em português, como governar, guiar, direcionar ou endireitar. Primeiros registros do sobrenome Rego advêm de um fidalgo do século XII, proveniente das Astúrias que trabalhava com o Conde Dom Henriques, em serviço da Rainha Dª Teresa. Foi Alcaide-mor de Celorico do Basto, fundador do mosteiro da Ordem de São Bento, Senhor de São Salvador de Lafões, da Quinta das Rosas e da Vila do Rego. O Brasão de Armas da família Rego foi concedido a este Senhor por Dom Afonso III, Rei de Portugal em 1276.

O nome “Rodrigues”: esta designação familiar foi no princípio patronímico de Rodrigo, o que originou várias famílias, não só em Portugal como em Espanha. Em Portugal usam-se três brasões de armas diferentes, relativos a famílias Rodrigues, as quais são: a proveniente de Martim Rodrigues, cujas armas figuram no célebre Livro do Armeiro-Mor, o que indica ser personagem que existiu antes de 1509 – ano em que essa obra foi terminada – ou vivia por essa época; a que vem do bacharel António Rodrigues, principal Portugal Rei de Armas, a quem o Imperador de Alemanha concedeu armas, talvez por 1510; e a originária de Espanha conhecida pelos Rodriguez de las Varillas, também chamados Rodrigues de Salamanca, por serem daí naturais os que vieram para Portugal no tempo de Filipe II. Alguns autores citam mais uma família Rodrigues com armas próprias que descende de André Rodrigues de Austria, com outras Armas que alguns heraldistas consideram dos Áustrias, e que eram também anteriores à feitura do Livro do Armeiro-mor.

 

Composição do brasão e explicação Heráldica:

Pe. Gilson Jardene Guimarães Barreto (Diocese de Uruaçu)

Artes gráficas: André Ricarte

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